20 de Janeiro de 2016 - 11h17

Os Graduados

Pilotos da Stock Car trazem, além da carteira da CBA, um diploma universitário. Saiba quem são os formados e formandos da maior categoria do automobilismo brasileiro
Os Graduados Fernanda Freixosa/Vicar

Seus pais estavam certos desde o início. Quer correr? Primeiro vai estudar. Tirou nota vermelha? Nada de kart. Dez entre dez pais de piloto levaram o período escolar de seus filhos desta maneira. E quando a coisa realmente ficou séria, alguns optaram por continuar conciliando a pilotagem com os estudos.

A Stock Car não chega a ser um reduto nerd, mas tem pilotos de nível superior – e até um pós-graduado. O curso preferido da pilotada é o de Administração, mas há também os que estudam Engenharia, Direito, Marketing, Publicidade. Por um motivo ou outro, muitos não puderam completar seus estudos por terem se mudado ao exterior para dar prosseguimento às carreiras e o retorno ao Brasil na condição de profissional na maior categoria do automobilismo nacional lhes fez adiar um pouco o objetivo de conquistar o diploma para conquistar troféus.

“Fiquei 12 anos fora do vínculo com os estudos, mas desde que retornei ao país em 2007 e comecei a trabalhar na empresa da família eu uso tudo o que aprendi como recurso na profissão”, explica o economista Ricardo Zonta, da Shell Racing. O curitibano formou-se em 1995 e logo depois foi morar fora do país para seguir a escada rumo à Fórmula 1.

Ele entende que ter um diploma universitário é importante porque o conhecimento adquirido será aproveitado de uma forma ou de outra. “Nenhum esportista pode viver só do esporte, nem mesmo jogadores de futebol. Pilotos de automobilismo às vezes podem se envolver como empresários ou donos de equipe e precisam ter a formação para comandar uma empresa”, diz o economista, que também é sócio-proprietário da RZ Motorsport.

Seu novo companheiro de equipe compartilha da mesma visão. Formado em Administração de Empresas há um ano, Átila Abreu diz que conseguia dar atenção aos estudos e aos negócios da família durante a semana. “Acho que um piloto tem de ser completo. A partir do momento em que a gente tem 12 finais de semana de corrida no ano sempre sobra tempo para cuidar de outras coisas e crescer profissionalmente”, crava o vencedor da última etapa de 2015.

Com experiência no ramo de construção, o engenheiro civil Galid Osman, da Ipiranga-RCM, aproveitou seu conhecimento para planejar e comandar as reformas necessárias no apartamento recém-adquirido. “Trabalhei quatro anos em uma construtora, e meu pai trabalha com concreto. Se aparecer alguma coisa eu até consigo conciliar”, promete o piloto, que marcou a pole position em uma das etapas de Curitiba em 2015. Graduado há sete anos, tem como objetivo voltar a trabalhar na área de formação quando deixar a categoria.

Quem já está aproveitando dos conhecimentos adquiridos nos bancos da faculdade é o administrador de empresas Júlio Campos. Vencedor de corridas na Stock Car, ele se junta para pilotar na Axalta C2 Team, equipe da qual é sócio. “Não dá para saber o que vai acontecer no futuro, mas eu pretendo cursar outra faculdade ou uma pós-graduação relacionada a Administração. É importante estar atualizado”, pontua.

Seu pupilo (e sócio) segue os passos do companheiro e chefe de equipe. Tudo o que o estudante de Administração de Empresas Gabriel Casagrande quer é terminar a faculdade. E vencer corridas. “É complicado dividir atenção porque tenho que tomar cuidado com faltas, notas e às vezes acabo perdendo trabalhos. Para não reprovar tem algumas disciplinas que eu adiei. Mas como somos sócios de uma equipe eu preciso ter um curso de Administração. Por enquanto estou tirando leite de pedra porque não peguei nenhuma ‘dependência’. Só espero continuar assim e não demorar tanto para pegar o diploma”, destaca.

Cesar Ramos é outro que não vê a hora de vestir a bata e dançar a valsa na formatura. Cursando Gestão Comercial, o gaúcho que estreou na Stock Car em 2015 competindo pela Total Racing vê o estudo, entre outras coisas, como uma válvula de escape. “A relação trabalho-estudo não preocupa. Mas quando o fim de semana na pista não é bom, estudar acaba virando uma produtiva distração, por assim dizer”, arrisca.

Administração de Empresas é o curso mais procurado pelos pilotos da categoria. Vitor Genz, Bia Figueiredo, Allam Khodair, Júlio Campos e Átila Abreu possuem graduação no curso. Casagrande e Lucas Foresti ainda estudam, e vários outros ainda não puderam completar: Felipe Lapenna, Valdeno Brito, Luciano Burti, Max Wilson e Cacá Bueno.

Alguns fazem uma divisão: estudo é uma coisa, pilotagem é outra. Para Allam Khodair, as duas atividades se complementam. Formado em Administração, o piloto da Texaco Full Time é pós-graduado em Marketing. E quer continuar estudando. “Estudar me ajudou bastante como profissional fora da pista ao buscar patrocinadores e criar ações. Agora já estou procurando alguma coisa na área de marketing esportivo para ficar atualizado”, comenta. Raphael Abbate segue a mesma linha e se formou em Marketing no último ano.

Gustavo Lima, que estreou neste ano pela ProGP, e Fábio Fogaça, que competiu em parte da temporada pela Hot Car, cursam a faculdade de Direito e Engenharia Mecânica, respectivamente. Vários outros pilotos, por um motivo ou outro, tiveram que adiar o sonho do diploma por conta dos compromissos com a Stock Car e outras atividades.

Dois destes exemplos são Luciano Burti e Max Wilson. Pilotos que dividem a experiência das pistas da Stock Car – e também da Fórmula 1 – como comentaristas da F1 nos canais Globo e SporTV, respectivamente. Ambos já passaram pelo vestibular e chegaram a cursar a faculdade, mas não terminaram. Burti estudava Administração e Max, Biologia. Talvez o trabalho na área da Comunicação também possa ter mudado suas ideias...

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